As famílias têm diferentes configurações, diferentes histórias, diferentes dinâmicas, mas, no geral, é inequívoca a importância que a família tem para nós. A família é um dos microssistemas primordiais para o desenvolvimento humano, podendo ter um impacto profundo na nossa vida, marcando-nos de formas mais ou menos positivas. A evidência na área da Psicologia e das Neurociências é clara, a família tem impacto no desenvolvimento da criança a vários níveis, desde o desenvolvimento cerebral, à regulação emocional e saúde mental, às competências sociais e académicas, entre outros. Sabe-se que os relacionamentos, o ambiente e as experiências vividas pela criança nos primeiros anos de vida são fundamentais para o seu desenvolvimento a curto e a longo prazo.
É essencial ter informação, contudo numa época em que o conhecimento é tanto e tão generalizado a pressão que colocamos sobre nós é naturalmente maior. Os pais hoje vivem mais stressados, com mais pressão e exigência, inundados de conselhos e recomendações. Não obstante, talvez haja também mais abertura para admitir frustrações e dificuldades na gestão das dinâmicas familiares e para pedir ajuda.
Uma família pode dar trabalho e implicar esforço, mas quando a família é colo, é segurança, é fonte de suporte, de afeto e de limites, pode ser um fator de protecção essencial, ajudando as crianças a crescer com mais confiança em si e no mundo, e contribuindo para o seu bem-estar e saúde mental.
Não existem famílias perfeitas, cada elemento da família tem as suas características, cada um vive diferentes desafios internos e externos, tem dias e fases melhores e piores… assim, aceitarmos e amarmos a nossa família como ela é, sabermos reconhecer os nossos erros e aprender com eles, e reparar as relações perante rupturas é o essencial.
As rupturas (quando não compreendemos, julgamos mal ou magoamos os outros) são inevitáveis em qualquer relação íntima e familiar. É a reparação que importa. (Perry, 2020)
Infelizmente, nem sempre temos a sorte de crescer numa família saudável e há situações em que encontrar outras famílias é o único caminho. Contudo, enquanto adultos, na construção da nossa própria família, cabe-nos, dentro do que formos capazes, fazer o melhor que pudermos.
Assim, deixamos apenas algumas sugestões para fortalecer a relação familiar:
- Vivam e revivam memórias e tradições, tanto de gerações passadas como criadas pela vossa família;
- Procurem proporcionar rituais de conexão diários, momentos de proximidade, de partilha de afeto, de comunicação, de sentir que sou visto, sou amado, e importo;
- Experimentem criar lemas da família que vos estruturem e salientem o mais importante (ex. “um por todos e todos por um”);
- Encontrem tempo para a família, tempo de qualidade no dia-a-dia, para além do tempo que conseguem passar em épocas de férias e momentos especiais;
- Façam brincadeiras e jogos em conjunto, ouçam música, dancem, o que for… divirtam-se à vossa maneira;
- Experimentem usar jogos e cartas de conversação, podem ser muito úteis para se aproximarem e conhecerem melhor;
- Celebrem a vossa família no dia da família (e noutros), deem um abraço de família, expressem em voz alta a vossa gratidão pela vossa família e por cada elemento que a compõe.
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Hoffman, K., Cooper, G., & Powell, B. (2017). Raising a secure child: How circle of security parenting can help you nurture your child’s attachment, emotional resilience, and freedom to explore. Guilford Publications.
National Scientific Council on the Developing Child (2007). The Science of Early Childhood Development: Closing the Gap Between What We Know and What We Do. Retrieved from www.developingchild.harvard.edu.
Perry, P. (2019). The Book You Wish Your Parents Had Read (and Your Children Will Be Glad That You Did). UK: Penguin Books.






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