Como posso ajudar o meu filho a resolver problemas?

Aprender a resolver problemas é uma competência essencial, que será útil ao longo de toda a vida. Os problemas aparecem desde cedo e vão ser uma realidade com a qual a criança terá de lidar. Seja algo simples como alcançar um brinquedo, ou, mais tarde, partilhar um brinquedo, ou resolver conflitos com amigos, os problemas existem e é ao lidar com os mesmos que a criança cresce e ganha competências para os resolver.

Como pais e educadores, podemos querer proteger as crianças de tudo, evitar que tenham problemas, e resolvê-los por elas, mas isso não seria realista nem protetor. Se as crianças não aprenderem (nem praticarem) este tipo de competências, poderão ter mais dificuldades para resolver problemas, acabando por usar respostas menos adequadas e menos eficazes (ex. chorar, bater, fazer birras, gritar, destruir coisas, mentir, fugir das situações), que podem perpetuar e criar novos problemas.

 

Como é que as crianças aprendem a resolver problemas?

 

De várias formas. Através de tentativa e erro, através da observação dos outros, através do que lhes ensinamos... Assim, como cuidadores, é importante não só darmos o exemplo de formas adequadas de resolver problemas, bem como oportunidades para resolvê-los, e ensinar soluções mais pró-sociais, positivas e eficazes.

 

6 passos para a resolução de problemas (de Caroline Webster-Stratton):

 

1. Qual é o problema?

Primeiro é importante ajudar a criança a perceber como pode saber que tem um problema e a esclarecer qual é, prestando atenção aos seus sentimentos (como tristeza, zanga, preocupação, angustia...) e sensações corporais (como suores, dores de estômago, coração acelerado...) e analisando a situação que os causa. Ao aumentar o reconhecimento e vocabulário emocional também será mais fácil para a criança descrever e regular o que sente.

 

2. Quais são as soluções?

Não é fácil perceber que podem existir múltiplas soluções para um mesmo problema e que estas podem ter diferentes consequências, umas melhores que outras. Isto é algo que se vai praticando e desenvolvendo com o tempo. Assim, em segundo lugar, devemos ajudar a criança a flexibilizar o pensamento e a identificar várias soluções, sugerindo algumas ideias (como afastar-se, esperar, negociar, pedir...) caso a criança esteja a ter dificuldades em encontrar alternativas.

 

3. Quais são as consequências? O que acontece a seguir?

De seguida, é necessário ajudar a criança a analisar as soluções, pensando quais podem ser as consequências (positivas e negativas) das mesmas. Antecipar resultados pode ser difícil, sobretudo para crianças mais novas e mais impulsivas, que poderão precisar de mais ajuda neste passo.

 

4. Qual será a melhor solução?

Depois de identificar soluções e possíveis resultados, é importante ajudar a criança a fazer uma escolha. A solução escolhida pode ser praticada através de teatros com a própria criança e com bonecos. Podem também antecipar o que fazer caso a tentativa de resolução do problema não corra como esperado.

 

5. Como implementar a solução?

Resolver um problema na vida real pode ser mais complicado do que tentar resolvê-lo hipoteticamente. De facto, nem sempre se consegue implementar o que se tinha planeado e as soluções por vezes não resultam e têm de experimentar outras alternativas. Se estiver por perto e verificar que a criança precisa de ajuda, pode tentar apoiá-la neste processo, acalmá-la e sugerir algumas soluções.

 

6. Como correu?

Por fim, pode ser importante refletir com a criança sobre como correu a implementação da solução e se faz sentido (ou não) voltar a usá-la. Nesta reflexão pensem se foi seguro, se ninguém se magoou, se foi justo, como se sentiu a criança e como se terá sentido a outra pessoa envolvida. Caso não tenha sido uma boa escolha, pensem em alternativas a experimentar.

 

Em suma, é importante resistir à vontade de dar as soluções ou de resolver os problemas pelas crianças. Será melhor ajudá-las a pensar nos problemas e soluções, a falar sobre isso, a treinar estratégias, a implementar as soluções e a perceber se foram eficazes, mas não resolvendo o problema por elas. Desta forma, estará a contribuir para desenvolver estas competências na criança, que se tornará cada vez mais autónoma na resolução de problemas, sabendo, ao mesmo tempo, que pode contar com o seu apoio. Aprender este tipo de competências vai ajudar a criança a autoregular-se, a tornar-se mais independente e confiante.

 

Outras pistas:

  • Elogie a criança pela procura de soluções e pela tentativa de resolução dos problemas.

  • Faça perguntas sobre sentimentos, tanto os da criança como os dos outros (ex. Como é que te sentiste? Como achas que o Manuel se sentiu?).

  • Leia histórias e façam teatros em que dramatizam a resolução de problemas (para ajudar a criança a identificar soluções).

  • Usem pistas visuais ou imagens que ajudem a identificar e recordar soluções.

  • Modele a resolução de problemas, pensando os diferentes passos em voz alta à frente da criança.

 

Todo o artigo foi retirado e adaptado de Webster-Stratton, C. (2018). Como promover as competências sociais e emocionais das crianças. Braga: Psiquilíbrios Edições.

 

 

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