Desenvolvimento social e emocional

Ouvimos frequentemente falar do desenvolvimento social e emocional das crianças, mas nem sempre sabemos em que é que este se traduz ou como podemos potenciá-lo.

O desenvolvimento social está sobretudo relacionado com a capacidade de interagir com outros de forma adequada, formar amizades, saber comunicar, saber negociar e resolver problemas, partilhar, revezar, etc. Já o desenvolvimento emocional está sobretudo relacionado a capacidade de reconhecer e expressar emoções, de reconhecer emoções nos outros, de empatia, de responder de forma adequada às emoções, etc. Estas capacidades andam naturalmente de mãos dadas, por isso surgem muitas vezes em conjunto, sob o chapéu das competências sócio-emocionais.

Existem várias formas de promover estas competências nas crianças, sendo que uma das principais é através da modelagem e das relações de afeto.

As relações de afeto dão às crianças um sentimento de conforto, segurança, confiança e encorajamento. Relações fortes e positivas contribuem para que as crianças aprendam a construir amizades, a comunicar emoções e lidar com desafios, a desenvolver empatia, compaixão e um sentido de certo ou errado.

As relações são essenciais desde o primeiro dia. Desde que nascem, os bebés aprendem sobre si, sobre os outros e sobre o mundo, pela forma como são tratados e como se relacionam com eles. Através das interações do dia-a-dia os cuidadores transmitem mensagens que contribuem para a autoestima dos bebés, como: És amado! És inteligente! És bom a descobrir coisas! Fazes-me rir! Gosto de estar contigo!

Com o tempo, as crianças começam a perceber que são seres independentes e separados dos outros, e que as outras pessoas têm sentimentos e pensamentos que podem ser diferentes dos seus, o que contribui para que comecem a desenvolver empatia.

Nos primeiros anos de vida, as crianças brincam sobretudo lado-a-lado com as outras crianças, observam, imitam... mais perto dos 3 anos começam a brincar de forma mais interativa com os pares, começa a brincadeira simbólica e imaginária, e mais manifestações de empatia, como por exemplo confortar uma criança que esteja triste ou chateada. Ainda assim, o "não" continua muito presente e gerir conflitos com os pares é difícil, visto que nestas idades as crianças querem o que querem, quando querem, e têm pouco autocontrolo, o que significa que têm uma grande dificuldade em esperar, parar impulsos, partilhar. Mais perto dos 3 anos começam a desenvolver uma maior capacidade de revezar e partilhar, tendo brincadeiras sociais progressivamente mais avançadas.

As competências sócio-emocionais vão-se adquirindo de forma gradual e a ritmos distintos consoante as características da criança e as suas experiências. Estas competências são em grande parte influenciadas pelo contexto, pela modelagem e pelas relações das crianças com as pessoas que as rodeiam. A verdade é que até os adultos continuam a progredir e a desenvolver estas competências ao longo da vida, portanto é preciso ter paciência e ajudar a criança neste processo.

 

 

Sugestões:

  • Permitir que o seu filho brinque e explore o meio, dando pequenos desafios, ajustados à idade, e apenas a ajuda e incentivo necessários para os superarem (ex. se já constrói uma torre de dois cubos encorajar a pôr um terceiro cubo)

  • Ser afetuoso – tocar, dar colo, beijos e abraços, confortar, balançar, cantar e conversar com o seu filho - faz com que este se sinta amado e especial.

  • Ajude o seu filho a sentir-se seguro, mostrando que está lá para o apoiar e encorajar. Mesmo nos momentos mais complicados (ex. cólicas, choro intenso, birras) é importante que o seu filho sinta que pode confiar em si, que se sinta seguro e que aprenda a acalmar-se.

  • As rotinas são essenciais para transmitir segurança, controlo e previsibilidade. Avisar sobre as transições entre rotinas também ajuda a transmitir esta previsibilidade e a dar tempo de preparação (ex. “depois do almoço vamos sentar no sofá a ler uma história e depois vais fazer uma sesta na caminha”).

  • Dê tempo e oportunidades para que o seu filho aprenda a resolver problemas e se sinta confiante. Encoraje o esforço e a persistência e não apenas o resultado.

  • Ajude o seu filho a resolver conflitos de formas apropriadas. Apoie-o na brincadeira com pares, mostre como partilhar, defina tempos para cada um, ajude-o a perceber como se distrair enquanto espera, jogue a jogos de revezar, etc. Mais tarde ajude o seu filho a rever a situação e a pensar em soluções alternativas.

  • À medida que ganham capacidades de exploração motora, as crianças conseguem chegar a sítios e coisas diferentes, podendo encontrar-se em situações assustadoras, inesperadas e estranhas. É importante estar por perto para ajudar no que for necessário, promovendo segurança e confiança na exploração.

  • Ajude o seu filho a compreender o que sente, dando nome às emoções, para que ao longo do tempo ele seja capaz de identificar e falar sobre os seus sentimentos (ex. “ficaste muito zangado quando o teu irmão te tirou o carro”).

  • Incentive o uso da linguagem para descrever sentimentos e modele a sua própria expressão emocional (ex. “estou aborrecida porque não encontro as chaves”).

  • Ler livros sobre emoções e brincar com fantoches e bonecos dramatizando uma diversidade de situações, sentimentos e comportamentos é uma forma lúdica de ensinar vocabulário emocional e modelar estratégias de gestão emocional e comportamental.

  • Ajude o seu filho a perceber que existem formas saudáveis de expressar sentimentos, sem magoar outros e sem destruir objetos.

  • Encoraje as amizades, dando ao seu filho oportunidades de socializar e conviver com outras crianças, sugerindo diferentes atividades e brincadeiras.

  • Façam um álbum de amigos e promova a empatia falando dos sentimentos e pontos de vista dos outros.

  • Brinque com o seu filho de forma interativa e diversa, para que este aprenda e se interesse por um maior leque de brincadeiras. Para além disso, ao brincar com o seu filho está a dar-lhe atenção positiva, e contribuindo para que se sinta amado, importante e competente.

  • Explique de forma simples e compreensível as razões para determinados limites, regras e pedidos para que o seu filho vá compreendendo o porquê. As consequências lógicas e naturais também contribuem para compreender melhor as regras e limites, tanto positivos como negativos (ex. a consequência natural de atirar brinquedos será ficar sem eles, a consequência natural de ajudar a vestir o casaco será ter mais tempo para brincar no parque). Este tipo de estratégias ajudam a criança a aprender regras e a fazer melhores escolhas ao longo do tempo.

 

 

Traduzido e adaptado de Zero to Three (2010)

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