Os meus avós!!

Lembro-me com muito carinho do tempo que passei com todos os meus avós, mas os avós não são todos iguais. Alguns estão mais presentes, outros mais distantes; alguns são mais ativos na educação dos netos, outros preferem não se envolver; uns mais permissivos, outros mais autoritários; ainda temos os que são mais consistentes com a educação dos pais, e os que preferem fazer as coisas à sua maneira...são várias as dinâmicas que se estabelecem entre avós, pais e netos.

Embora se assistam a mudanças ao longo do tempo, em Portugal existe ainda uma grande percentagem de avós a tomar conta dos netos. Os estudos sobre o impacto destes cuidados nos avós e nos netos nem sempre são consistentes. Alguns sugerem que os avós podem ser um fator protetor das crianças em diversas situações e que, inclusivamente, o cuidado aos netos tem impacto positivo na saúde física e psicológica dos avós; outros indicam que pode ser uma fonte de stress e discórdia. Dados recolhidos em entrevistas com avós indicam que estes encaram o tempo passado com os netos como um presente, uma alegria, sentindo-se mais relaxados, confiantes e pacientes com os netos do que foram com os filhos. Ao mesmo tempo, reconhecem que esta prestação de cuidados é um compromisso e reconhecem a importância da definição de limites e equilíbrios, para que não existam interferências com outras atividades do seu dia-a-dia. Existem desafios e conflitos mesmo nas melhores relações, porque, naturalmente, surgem desencontros de expectativas e perspetivas relacionadas tanto com a educação como com os papeis e responsabilidades dos avós. Alguns avós referem que discutir estas diferenças com os filhos não é fácil, pois sentem que a sua experiência como cuidadores é invisível para os filhos. Por outro lado, os pais precisam que os avós respeitem as suas decisões e o seu papel de pais. Muitas vezes, é aqui que surgem algumas dificuldades... Neste contexto, uma comunicação clara e saudável parece ser um dos fatores principais para o sucesso da relação pais-avós, reduzindo o stress e aumentando a coesão familiar.

A ligação entre avós e netos pode ser uma ligação especial, diferenciada e incrivelmente poderosa na vida de uma criança, sendo muito importante apoiar e alimentar esta relação! Permitir à criança vivenciar tradições com os avós – rotinas e rituais que se repetem ao longo do tempo e de gerações – ajuda a dar-lhes um sentido de identidade e conexão familiar; assim como é importante permitir que criem novas tradições, que sejam únicas e especiais dos avós e netos (ex. partilhar uma refeição especial, uma história inventada de propósito para os netos, rotinas feitas de forma diferente e memorável, etc.).

As crianças normalmente sentem-se confortáveis e confiantes com os avós, podendo estes representar um ninho de segurança emocional. Apoiar esta relação logo nos primeiros anos de vida da criança, pode representar o início de muitos anos de memórias partilhadas, dando às crianças raízes e simultaneamente asas.

 

 

Sugestões:

  • Os avós têm outras referências e, por isso, pode ser bom oferecer informação atual (algum livro, panfletos) sobre disciplina, nutrição, sono, brincadeira, etc.

  • Não imponha a sua disciplina de forma absoluta na casa dos avós. Mesmo que em casa a criança tenha que ir para a cama cedo, não coma chocolate, etc., permita certos comportamentos com os avós. Deixe que sejam parte da dinâmica dos avós, que sejam lembrados como coisas especiais do tempo que passam juntos.

  • Chame a atenção dos seus filhos para a possibilidade de as regras serem diferentes na casa dos avós, e ajude os avós a compreenderem porque estabeleceu certas regras.

  • Evite fazer comentários depreciativos dos avós em frente às crianças e tente estimular a relação entre avós e netos mesmo que a sua relação com os avós não seja a melhor.

  • Avós e pais são de gerações diferentes, mas procure ouvir os conselhos, sentimentos e maneiras de pensar dos avós sem discutir. Reconheça quando é mais sensato falar ou não, por vezes vão ter de concordar em discordar.

  • Se os avós enchem os netos de presentes procure gerir a situação, por exemplo restringindo o número de presentes que podem abrir, explicando que o melhor presente é a presença deles, sugerindo atividades que possam fazer em conjunto em vez de dar bens materiais, etc.

  • Encoraje os avós a partilhar perspetivas e resolver problemas como uma equipa. Esta colaboração pode ser um grande desafio. Valorize a experiência dos avós, os seus pontos fortes, mas deixe claro que como pais e decisores estão a estabelecer a vossa identidade e autoridade. A última palavra nas decisões é sua, e isto tem que ser claro para todos. Sentindo esta confiança também será mais fácil ouvir os avós sem discutir.

  • Use a tecnologia para chegar mais perto de avós distantes, para que as crianças comecem a reconhecer a voz e a cara dos avós.

  • Crie oportunidades e um ambiente favorável à interação entre avós e netos. Dê-lhes tempo para criarem a sua própria relação.

  • Se necessário ajude-os a encontrar atividades ou interesses que possam partilhar.

  • Estimule o gosto dos seus filhos por ouvir histórias contadas pelos avós. Sugira aos avós que partilhem histórias e músicas de família, que façam atividades juntos e que peçam à criança para ajudar em algumas tarefas, aproveitando o tempo e disponibilidade dos avós, a ausência de presa;

  • Tenha iniciativa de marcar encontros com os avós consoante a disponibilidade da família, de arranjar tempo para visitar os avós e de manter uma comunicação regular, transmitindo valores de coesão familiar, de cuidar dos outros, de amizade e amor.

  • Não é possível estar em dois sítios ao mesmo tempo, nem agradar a todos, mas deixe os avós saberem que tenta conciliar as coisas da melhor forma. Deste modo está também a modelar competências de resolução de problemas, planeamento e gestão de conflitos.

  • Imagine-se a si mesmo como avó/avô, e pense como gostaria que fosse a relação com os seus netos e filhos.

 

 

Traduzido e adaptado por Joana Nunes Patrício de Glaser, Price, Montserrat, Gessa, & Tinker, 2013; Kinsner, Parlakian, & MacLaughlin, 2017; Parlakian, 2017; Parlakian & Kinsner, 2017; Parlakian & Lerner, 2012; Reichlin & Winkler, 2010.

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