Vais ter um irmão!!

Ter um filho pode ser muito excitante, mas também pode ser stressante visto que implica várias mudanças para todos os envolvidos, nomeadamente para os irmãos mais velhos.

A preparação para um segundo filho é um pouco diferente do que para um primeiro, visto que agora existe uma nova variável importante - o filho mais velho. Assim, é natural que, nesta fase inicial de preparação, se questione sobre como contar, quando contar, como será que ele vai reagir, etc.

No geral, é importante preparar as crianças para o nascimento de um irmão. Elas detetam mudanças, tanto no corpo, como no comportamento da mãe (ex. não consegue pegar ao colo). Neste sentido, é importante que lhes explique o porquê destas alterações. Não existem receitas, até porque as crianças não têm todas o mesmo nível de compreensão, dependendo muito da sua idade. Para as crianças mais novas, a ideia de um bebé a crescer na barriga da mãe pode ser difícil de entender, sendo importante ajudar a tornar este conceito abstrato em algo mais compreensível, mas apropriado à idade da criança.

As crianças também não reagem todas da mesma forma, mesmo em idades semelhantes. Ainda assim, é natural que os filhos mais velhos, tenham sentimentos ambíguos. Muitas crianças mostram-se bastante entusiasmadas quando o bebé ainda está na barriga da mãe, mas, quando se torna real, surgem diferentes sentimentos. Por um lado, podem amar intensamente os irmãos, por outro, podem ficar zangados e ressentidos por terem de partilhar a atenção e “tudo” o que antes era só deles. É importante compreender que os filhos mais velhos podem passar por uma fase de maior dependência dos pais, de mais birras, regressões, e de expressão de sentimentos negativos em relação ao bebé... assim, será importante ajudar as crianças na gestão destes sentimentos.

Lembre-se que, embora levar um novo bebé para casa possa ter os seus momentos stressantes, podendo envolver algum o choro, confusão e disputas, também contribui para desenvolver outras competências nas crianças, nomeadamente partilha, cooperação, empatia, resolução de problemas, etc.

O mais importante é conhecer bem os seus filhos e estar atento aos seus sinais e necessidades, procurando dar-lhes uma resposta adequada mantendo, simultaneamente, a estabilidade e consistência do mundo da criança, em termos de regras, rotinas e limites, para que esta continue a sentir segurança, controlo e previsibilidade. No fundo, a criança precisa de se adaptar a este novo elemento na família e de sentir que o seu lugar não está posto em causa, que continua a ser tão amada como era e a ter atenção e disponibilidade dos pais (mesmo que agora tenha que as partilhar mais vezes). Ser sensível a isto vai ajudá-lo a dar o suporte e a tranquilidade de que as crianças precisam para se adaptarem a esta mudança.

 

Sugestões:

  • Garanta a supervisão para manter a segurança dos seus filhos. Muitas vezes os filhos mais velhos não sabem bem como tocar e interagir com o bebé e podem magoá-lo mesmo sem querer. Ensine o seu filho a interagir de forma segura com o bebé. Caso a criança faça algo mais brusco ou agressivo, procure retirar as mãos calmamente e mostrar como deve fazer (ex. “podes fazer miminhos ou coceguinhas ao bebé, assim.”).

  • Assegure-se que continua a dar atenção individualizada ao seu filho mais velho, tendo alguns tempos especiais só com ele. Procure manter, também, o mesmo comportamento com a criança, os mesmos limites e regras, não cedendo a exigências da criança, nem compensando a criança com presentes.

  • Dê oportunidades aos seus filhos para expressarem os seus sentimentos. Reconheça-os, mostre que compreende e ajude-os a encontrar soluções. É natural que os filhos mais velhos se sintam confusos enquanto tentam entender as mudanças, tanto no corpo da mãe, como nas dinâmicas familiares, e que sintam alguns ciúmes dos irmãos. Estes sentimentos podem ser expressos de forma mais evidente ou mais subtil. Esteja atento e procure dar resposta a essas necessidades de segurança.

  • Envolva os seus filhos mais velhos na resolução de problemas dando-lhes opções (ex., “Agora vou dar o leite ao Guilherme, não posso brincar. Como podemos fazer? Queres ir brincar com os legos ou preferes ficar aqui a ler um livro?”).

  • De forma gradual, encoraje o envolvimento do seu filho mais velho com o novo irmão (ex. “Que roupa é que gostavas que a Maria vestisse hoje?), mas não force nem pressione se ele não estiver interessado. Pode convidá-lo a ajudar a decorar o quarto, escolher brinquedos, roupas, etc., respeitando o seu interesse.

  • Dê ao seu filho a segurança de que ninguém vai ocupar o seu lugar (ex. “Nós amamos toda a nossa família, tu, o avô, a avó, os primos, e agora também a Maria...Todos têm lugar no nosso coração. Tu tens um lugar especial no meu coração, és único para mim.”).

  • Encoraje sentimentos de proximidade e orgulho nas aquisições do bebé, mas também dos restantes elementos da família, nomeadamente dos irmãos mais velhos. Não deixe que tudo gire em torno do novo bebé.

  • Não pressione os seus filhos mais velhos a amarem o novo bebé. O mais provável é que esta relação de afeto se crie com o tempo e a convivência.

  • Esteja preparado para a possibilidade de o seu filho mais velho ter algumas regressões, ou agir como um bebé de forma a conseguir mais atenção. Pode ser um sinal de stress ou uma tentativa de perceber o seu lugar na família. Estes comportamentos podem desaparecer mais depressa se não lhes der demasiada importância. Exigir que a criança aja “como um menino crescido” pode não ser ajustado ao que a criança consegue dar no momento.

  • Ajude o seu filho mais velho a proteger os seus brinquedos favoritos quando o bebé tiver mais mobilidade. A criança pode ser incentivada a partilhar, mas tem direito a ter os seus próprios brinquedos e é natural que não queira que se estraguem.

  • Leia livros sobre como os bebés crescem e sobre ter um novo irmão ou irmã. Dependendo da idade do seu filho, falem sobre as expectativas que têm em relação ao que será mais divertido e mais difícil quando o bebé nascer, e sobre atividades que podem fazer nesses momentos. Ainda durante a gravidez, pode ir envolvendo a criança, de acordo com os seus interesses e características, criando oportunidades para ver e estar com outros bebés, falando sobre o que podem e não podem fazer, como se comportam, etc.

 

Nota: Caso tenha alguma preocupação deve consultar um especialista para avaliar a situação e recomendar a melhor forma de intervenção.

 

 

Traduzido e adaptado por Joana Nunes Patrício de Lerner (2017), Reichlin e Winkler (2003). 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

ser parte da história

SER PARTE DA HISTÓRIA é um serviço da associação Caminhos da Infância que tem como objetivo apoiar os pais e outros cuidadores, disponibilizando informação, aconselhamento e formação sobre parentalidade. 

Não se pretendem dar receitas (até porque não existem) mas sim informação e apoio para ajudar todos os cuidadores a ser parte de uma história que não se repete - a da infância. 

quem somos
associação
contactos
posts recentes
Please reload

arquivo
Please reload

quem somos

inês poeiras

  • Grey LinkedIn Icon

Presidente da Caminhos da Infância

francisca carneiro

  • Grey LinkedIn Icon

Diretora do Centro Infantil Maria de Monserratre

joana nunes patrício

  • Grey LinkedIn Icon

Coordenadora Ser Parte da História

Mais do que uma associação, somos um grupo a trabalhar para que a infância seja uma experiência feliz para todas as crianças.

Trabalhamos em parceria e juntamos a investigação à experiência, que é como quem diz,

andamos da teoria à prática e da prática à teoria.

Descobrimos que não se mudam comportamentos só com extensos artigos académicos ou grandes ações de formação.

Mudamos comportamentos quando estamos envolvidos. Quando somos parte da história. E isto fazemos bem.

Contactos

tlf. 21 136 85 14

caminhosdainfancia@gmail.com

Rua Margarida de Abreu, nº4, 1900-362, Lisboa

  • Facebook - White Circle
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now