Birras, afirmação e teste de limites! Parte II

Já sabemos que as birras fazem parte do desenvolvimento das crianças. Mas o contexto em que as birras ocorrem, bem como a sua intensidade e duração varia muito de criança para criança, em função do seu temperamento. Assim, reagir de acordo com as características de cada criança é meio caminho andado para não perder o controlo da situação (tão fácil acontecer se estivermos cansados!)

 

A capacidade de regulação emocional e de controlo de comportamentos e impulsos é algo que a criança vai desenvolvendo ao longo dos anos. E estes momentos são oportunidades de aprendizagem, de aprender o que está certo e errado, a respeitar regras, a lidar com a frustração, e a descobrir formas aceitáveis de agir.

 

Defina e reforce regras claras e consistentes. Algumas regras não são negociáveis, devem ser aplicadas de forma consistente e ajudam a que a criança se sinta segura. Permitem à criança perceber que existe estrutura, lógica e consistência no seu mundo.

 

E quando a birra está instalada? Em que a criança não está em condições de processar informação ou de refletir? Certamente não será o momento de a levar a aprender ou a cooperar.

 

Sugestões:

  • Mantenha a calma. Lembre-se que é o modelo do seu filho, ele aprende consigo. Gritar e bater não ajuda;

  • Ignore a birra e dê atenção assim que a birra parar. Quando ignorar afaste-se da criança (mesmo que fique no mesmo espaço que ela), não interaja com ela, prepare-se para ser testado, e seja consistente. Não ceda à birra, ou a criança vai perceber que com as birras consegue aquilo que quer;

  • Escolha que tipo de comportamentos pode ou não ignorar. Se a birra escalar e a criança começar a bater, morder, destruir coisas, deve dizer-lhe que isso não se faz, afastá-la, dizer-lhe que bater ou morder magoa, ignorar por 1 ou 2 minutos, e só depois reconhecer o sentimento, mas esclarecer que o comportamento não é aceitável, e redirecioná-la para outra atividade;

  • Mostre que compreende o que ela sente (“sei que estás zangado por não poderes brincar com a bola, mas não pode ser por ...”) mas que alguns comportamentos são inaceitáveis (“...mas não podes bater”);

  • Use poucas palavras, diga o que tem de ser feito, comece os pedidos por “assim que tu” ou “quando tu”, em vez de “se tu” (cuidado com as lutas de poder!);

  • Ensine à criança técnicas para se acalmar: pôr a chucha, agarrar um boneco/cobertor que goste, ir para o sítio de acalmar, apertar uma almofada, respirar fundo, e usar as palavras;

  • Tente traduzir o comportamento que não quer ver em algo que quer ver: “não quero que atires os brinquedos – quero que brinques com calma, com os brinquedos na mão ou no chão”;

  • Reconheça os progressos à medida que a criança começa a ser capaz de gerir as suas emoções e comportamentos.

 

 

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