O termómetro das emoções

22.06.2015

Todos nós já sentimos diferentes emoções ao longo da vida. Felicidade, tristeza, zanga, nojo, desprezo, surpresa, medo… emoções positivas ou negativas, todas elas são importantes para o desenvolvimento adequado das crianças e adolescentes.

 

Porque não há emoções boas ou más, mas sim emoções que podem ser adaptativas (ou seja, ajudam a criança a lidar com uma determinada situação) ou não adaptativas.

 

Mesmo as emoções negativas (como a tristeza, a raiva ou o medo) podem ser adaptativas! É natural que se sinta tristeza quando se perde alguém de quem gostamos. Ou que se sinta zanga quando alguém nos faz algo de que não gostamos!

 

Também o medo é uma emoção que pode ser muito importante, até do ponto de vista da segurança. Por exemplo, é importante que uma criança pequena sinta medo de atravessar uma rua sozinha. Mas as emoções têm também diferentes intensidades. Como se houvesse um termómetro. Assim, as emoções podem ser menos intensas ou mais intensas. É muito importante que cada um de nós consiga perceber, não só qual a emoção que está a sentir, mas também com que intensidade (‘como está o meu termómetro da zanga?’). Porque as emoções, quando são muito intensas, aí sim, podem tornar-se desadaptativas.

 

Vamos ver alguns exemplos: O medo é uma emoção muito frequente em crianças, e crianças de diferentes idades podem sentir medos diferentes. Estes medos podem ser normativos, mas tornam-se um problema quando são muito intensos, de tal forma de paralisam a criança e a impedem de funcionar, podendo conduzir ao evitamento das situações. A zanga. Quem é que nunca se sentiu zangado? Todos nós já nos sentimos zangados e irritados. O problema surge quando esta zanga se torna tão intensa que impede que a criança encontre estratégias de a controlar, podendo traduzir-se, depois, em comportamentos mais desajustados. Enquanto pais, desempenhamos um papel muito importante na forma como as crianças aprendem a reconhecer e a lidar com as suas emoções. É importante aceitar que a criança experiencie as diferentes emoções. Não devemos dizer, por exemplo, que ‘um rapaz não chora’, ou que não permitimos que a criança se zangue.

 

Sugestão IV: Aceitar as diversas emoções que a criança sente não significa que aceitemos determinados comportamentos associados a essa mesma emoção. Por exemplo, aceitamos que a criança se sinta zangada, mas não aceitamos que dê pontapés por sentir-se dessa forma.E como grande exemplo dos filhos, é fundamental que os pais consigam, eles próprios, controlar as suas emoções, de forma a que o termómetro não suba demasiado. Não só estamos a ensinar à criança que é possível controlar as emoções, como também prevenimos situações mais desajustadas enquanto pais. Porque quando a zanga ou irritação dos pais sobe muito… mais dificilmente controlam os seus comportamentos e podem acabar por recorrer a práticas mais punitivas.

 

(Em colaboração com Equipa de Investigação CIS-IUL

 

 

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