5 riscos no regresso à escola!

A dita “nova normalidade” tem muito pouco de normal. Muito mais para as crianças e adolescentes, cujas etapas de desenvolvimento não se coadunam com algumas regras que vão sendo conhecidas e inscritas em planos de contingência e regulamentos internos de creches, jardins de infância e escolas.

Enumerar riscos não é um exercício de pessimismo, mas pensar neles permite-nos opções mais equilibradas.


1- Risco de socialização

Será que as crianças e jovens vão cumprir as regras de distanciamento? Será sequer exigível em contexto escolar?

Passaram seis meses desde o início do confinamento, SEIS! O comportamento destes grupos etários é, por definição, um comportamento de grupo. Os alunos vão ser privados de trabalhos de grupo, de jogos em equipas, do contacto físico?


2- Risco de indisciplina

Alguns regulamentos, de maneira a minimizar os espaços/períodos de contágio, retiraram tempos de recreio, de intervalo. Ou melhor, o intervalo até pode estar lá, programado, mas, ou faz-se na sala de aula ou foi encurtado. Aqui está um desafio para professores: lidar com os arrufos de crianças e jovens expressos em pés inquietos, bocas a fugir para a asneirada, e tantas outras agressividades latentes… Cansados de uma inércia imposta contra aquilo que é a sua predisposição, crianças e jovens correm o risco de não serem assim tão bem comportadinhos.


3- Risco de outras doenças

Põe máscara, tira máscara, põe gel, espalha solução assética… Onde é que vai parar a nossa imunidade? Talvez esta questão seja mais discutível se falarmos de creche e jardim de infância, altura em que se constrói o sistema imunitário. Mas não deixa de ser pertinente. A ciência tem dado provas de que o corpo humano já está resistente a antibióticos. Agora, na tentativa de nos protegermos do Covid-19, estamos também a criar ambientes em que podem surgir mais microrganismos resistentes[i], e que nos expõem a outras doenças.


4- Risco de desmotivação

A privação, nas escolas, das rotinas normais das crianças e jovens deve ser um sinal de alerta. A escola é muito mais do que um espaço para aprendizagens académicas. Se crianças e jovens que já experienciaram o isolamento, no regresso à escola, não a reconhecerem, a probabilidade de uma desmotivação, não só para as aprendizagens, mas na sua vida em geral, é real. A pressão que é exercida sobre as crianças gera ansiedades e tem consequências negativas no seu desenvolvimento[ii]. A saúde mental não pode ser descurada.


5- Risco de inversão de valores

Este ano, não se podem levar para a escola bolas, cartas, brinquedos ou o que for que seja suscetível de partilha. Pelos vistos, a cooperação, a partilha e outros valores que promovem a comunhão ficam de fora dos conteúdos programáticos. Sem querer, o sentimento de pertença fica de fora. Como é que se pode construir uma prática de comunidade se tudo à minha volta me diz que o “outro” é um risco de vida?

Sejamos lúcidos. Foi muito tempo “entre paredes” e “sem amigos”.

A escola tem de ser mais versátil na sua oferta, neste início de ano letivo, e olhar a criança como um todo: com pensamento, com curiosidade, com sentimentos, com a sua dinâmica própria, que é muito mais do que veículo de transmissão de um vírus.

Querem-se escolas seguras, mas também humanizadas.

[i] https://theconversation.com/coronavirus-heavy-use-of-hand-sanitisers-could-boost-antimicrobial-resistance-136541 [ii] https://www.publico.pt/2020/07/29/impar/opiniao/medidas-novo-ano-lectivo-impacto-saude-mental-criancas-1926057

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